O AMOR ENTRE AS MEDIANERAS (OUTRO OLHAR PARA SÃO PAULO)

Eu moraria em SP. Melhor, eu viveria em São Paulo. Mas antes de chegar a São Paulo voltemos a minha casa: terça-feira, largo tudo por fazer e dou play em Medianeras, filme argentino, do diretor Gustavo Taretto. Não sei se pela minha relação íntima com o castellano e o fascínio pela geografia dos lugares, rapidamente me afeiçoei ao filme.

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Casa da Laura Assis, uma semana antes da viagem

Aqueles encontros (em um completo desencontro) eram fruto da cidade e sua arquitetura, sua disposição, suas coordenadas. Desde a modernidade o homem sofre encontros bruscos com a cidade. Parece não haver espaço suficiente para os dois, que se expandem. A descoordenação de uma cidade é também caos dentro daquele que a habita. Mas há as marcas positivas, os encontros de mão dupla (acontece muito quando alguém viaja, por exemplo). Não pertencemos (ou pertencemos muito) ao lugar e ele nos marca de maneira significativa.

Enquanto o filme me aflorava alguns sentimentos, fui imediatamente levada a uma conversa com o Henrique, um amigo que mora em São Paulo. No mesmo dia, algumas horas antes de eu assistir o filme, conversamos sobre as coisas boas que a cidade proporciona. Falei do céu azul. Do metrô. Da Vila Madá. Do Paraíso. Da Praça Roolsevelt. Do centro. Do Criolo. E todos os encontros afetivos que ambos temos com a cidade. São Paulo é a maior cidade do Brasil e um lugar que revisitei recentemente. Obviamente, pra mim e pro Henrique, a cidade representa muita herança positiva (conhecemos uma parte boa e interessante da cidade, os lugares que funcionam, temos laços pessoais na cidade).

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Até os cafés de SP ecoam | Eco SP 2015

Minha visita a São Paulo foi para ler alguns poemas no sarau que o Eco – Performances Poéticas realizou dentro da programação da exposição Poesia Agora (sob curadoria de Lucas Viriato). Depois saímos todos: Lucas, Luísa, eu, Otávio, Marília, Ana, Anderson, Laura, Larissa, Felipe, Léo, Diego, Cel e tantos outros. Pegar um metrô da Luz à República. Andar com gente bacana entre prédios muito grandes. Ver o dia lindo. Acordar na Vila Madá. Ir de chinelo até o mercado. Comer de madrugada no Villa Grano. Almoçar na Liberdade bebendo guaraná Jesus (enquanto uma senhora do maranhão pergunta pra gente no bairro oriental onde compramos a bebida). Perder o Anderson da estação Portuguesa/Tietê ao Paraíso. Tomar café da manhã com céu azul. Sentir o vento da estação interminável da Fradique Coutinho. Os afetos: as pessoas e a geografia.

A geografia me afeta muitíssimo. As pessoas que dialogam com essa geografia, idem. Gosto do mato e do concreto. Entretanto, dessa vez, entre as medianeras portenhas e paulistanas, como alguém que deita em plena Cultura em um domingo ensolarado na Paulista, a cidade-buquê se mostrou um lindo vaso de flores. As novas São Paulo virão com outras texturas, mas sem perder o sabor. Ou seja, não sou conduzido, conduzo.

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SOBRE A CASA

Eu sempre tive blogue. Desde antes de ser moda ter blogue. Ou falar que tem blogue. Os blogues começam na minha vida quando eu tinha 14 anos; quando eu comecei a escrever. Eu tinha fixação por escrever sobre assuntos do cotidiano, através de uma perspectiva política e filosófica. Depois comecei a publicar sobre poesia, feminismo, beleza gorda, maternidade. E quando meu primeiro livro saiu, não publiquei mais em blogues. Eu já estava com 24 anos, e 10 apenas de publicações na rede. Talvez por cansaço ou por apatia.

Hoje, aos 27 (atualizem conforme o ano, nasci em dezembro de 1987), eu volto ao espaço do blogue. Por quê? Porque esse é o espaço mais aberto que eu conheço dentro da internet e sempre nesse espaço eu pude exprimir melhor o que eu queria dizer, sem medinhos. Não havia obrigação de ser erudita ou escrever como quem redige um artigo científico. Eu recuperara o lirismo necessário para escrever um roteiro. O blogue me tornara uma pessoa mais confiante. Voltei.

Nesse espaço pretendo mostrar como é chegar à idade do cabalístico 27 e como, há quase um ano, eu decidi modificar algumas coisas na minha vida e tomar mais as rédeas. Corpo e mente. Aqui tem tudo misturado porque a Anelise (que sou eu) é a mistura da poesia, culinária, viagens, astrologia, maternidade, festas, saraus, literatura, escrita, docência, corpo e produção de presença, comunicação & etc. Aqui tem eu no trabalho e na vida, que é uma coisa só. Tem tudo que eu amo. Talvez um diário que é esse o gênero menor da literatura da minha vida.

SOBRE A CASA

A Casa sempre me despertou algo maior que um significante. Mas foi quando eu percebi que nenhum lugar no mundo seria capaz de suprir o que chamamos de casa que o termo passou a despertar mais e mais. Aqui você encontra o portfólio da vida que dá tempo de postar, mas ele chega como uma casa de experiência – que é o próprio corpo e a mente. Uma casa empírica. Casa Empiria.